CBPF participa da Conferência Livre sobre o tema: "Política Nacional de Instrumentação Científica" organizado pela SBF

A Sociedade Brasileira de Física (SBF) organizou uma CONFERÊNCIA LIVRE - EIXO ESTRUTURANTE III DA ENCTI, sobre "Política Nacional de Instrumentação Científica para uma Ciência e Tecnologia Inovadoras" como parte da 5ª Conferência Nacional de CT&I - PARA UM BRASIL JUSTO, SUSTENTÁVEL E DESENVOLVIDO. O Dr. Marcelo Portes de Albuquerque, Coordenador de Desenvolvimento Tecnológico do NIT-Rio e do Laboratório de Computação e Inteligência Artificial (LITCOMP-IA) do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF), ofereceu uma visão abrangente sobre o conceito de instrumentação científica e sua relação com o CBPF.

A IMPORTÂNCIA DA INSTRUMENTAÇÃO CIENTÍFICA NA AVANÇO DA PESQUISA INOVADORA

Na apresentação realizada pelo Dr. Marcelo, foi oferecida uma visão sobre o conceito de instrumentação científica, entendida como o desenvolvimento e uso de dispositivos ou sistemas necessários para a observação, medição e análise de fenômenos científicos. Durante a introdução, foi abordado um equívoco comum que limita o entendimento do público em geral do termo "instrumentação" a aplicações médicas, como bisturis e outros instrumentos cirúrgicos. No entanto, a instrumentação científica inclui uma gama muito mais ampla de ferramentas e tecnologias projetadas para avançar o conhecimento científico através de dados precisos e observações detalhadas. A apresentação também enfatizou o papel da instrumentação científica na promoção de pesquisas inovadoras. Foram apresentados exemplos de dispositivos de instrumentação, incluindo telescópios e espectrômetros, que demonstram como tais ferramentas contribuem para descobertas significativas e ampliam nosso entendimento do universo. A eficácia da instrumentação científica está diretamente relacionada à sua capacidade de permitir a exploração e compreensão de fenômenos que antes eram inacessíveis pela ciência.

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A SINERGIA ENTRE FÍSICA E INSTRUMENTAÇÃO CIENTÍFICA

Na segunda parte da apresentação, Dr. Marcelo abordou a relação entre a física e a instrumentação científica, explicando como ambas são fundamentais para o desenvolvimento acadêmico e industrial do Brasil. Ele destacou como essas áreas estão entrelaçadas, facilitando o avanço tecnológico e a inovação em diversos setores. Dr. Marcelo também falou sobre o investimento contínuo em novos equipamentos e tecnologias, que possibilitam a realização de pesquisas em física e contribuem para a expansão do horizonte científico do país. Exemplos específicos, como a evolução dos laboratórios multiusuários e a colaboração com o setor privado, foram utilizados para demonstrar a importância da instrumentação científica no desenvolvimento de uma infraestrutura robusta para pesquisa e desenvolvimento.

Dr. Marcelo também destacou a atuação do CBPF no desenvolvimento de instrumentação científica e sua contribuição para a capacidade nacional de inovação através de seus programas e projetos. Ele mencionou a importância do Mestrado Profissional em Instrumentação Científica, que tem sido essencial na formação de profissionais qualificados e na promoção de inovações. Além disso, ele detalhou a atuação do Núcleo de Inovação Tecnológica (NIT-Rio) em proteger as inovações desenvolvidas e facilitar a transferência de tecnologia entre o CBPF e o setor produtivo. A estrutura e os benefícios dos Laboratórios Multiusuários foram explicados, destacando como esses espaços promovem a colaboração e o compartilhamento de recursos de alta tecnologia entre diferentes grupos de pesquisa.

CONCLUSÃO:

Essencialidade da Instrumentação Científica e Apoio a P&D

Concluindo sua apresentação, Dr. Marcelo reafirmou a essencialidade da instrumentação científica para o progresso científico e tecnológico do Brasil. Ele destacou a necessidade de contínuo apoio e investimento em pesquisa e desenvolvimento (P&D) para manter e expandir as capacidades de instrumentação, visando não apenas avanços científicos, mas também a aplicação prática desses avanços para o benefício da sociedade.

Ciclo de Ciência, Tecnologia e Inovação (CT&I)

Dr. Marcelo também fez parte de sua conclusão ao reconhecer que o Ciclo de Ciência, Tecnologia e Inovação (CT&I) é dividido em seis fases principais, cada uma representando um estágio de desenvolvimento desde a pesquisa inicial até a eventual renovação ou declínio de uma tecnologia ou aplicação, e que esses ciclos existem e devem ser monitorados. A fase precursora envolve a observação de fenômenos científicos, estimulando o interesse e o investimento industrial, onde ocorre a primeira demonstração do potencial de ciência aplicada. A fase embrionária foca na melhoria da confiabilidade e desempenho da tecnologia até sua demonstração em campo. A fase de nutrição enfatiza a melhoria do preço e do desempenho da aplicação até que se desenvolva um mercado de massa. O crescimento concentra-se no marketing, comercialização e outros aspectos do negócio visando um crescimento sustentável. Na maturação, refinam-se as aplicações, processos de produção e modelos de negócios, tornando os produtos comoditizados. Na fase de declínio ou renovação, a indústria enfrenta o declínio ou é renovada através do desenvolvimento de novas tecnologias baseadas em ciência, repetindo as fases anteriores. As transições importantes, como a Transição “Ciência & Tecnologia”, Transição “Tecnologia & Aplicação” e Transição “Aplicação & Mercado”, marcam passagens críticas entre pesquisa científica, tecnologia aplicada e comercialização em larga escala. O diagrama destaca também a necessidade de investimentos financeiros em cada fase, essencial para garantir a continuidade e o sucesso de cada transição dentro do ciclo de inovação. O ciclo de CT&I é um processo contínuo e dinâmico que envolve múltiplas fases de desenvolvimento e transição, onde o apoio financeiro e colaborativo entre cientistas, engenheiros, empresários e políticas públicas é essencial para promover um ambiente propício à inovação tecnológica e ao desenvolvimento econômico sustentável.

Criação de um Ambiente de Inovação e Colaboração

Por fim, Dr. Marcelo propôs a criação de um ambiente moderno e dinâmico que favoreça a inovação a partir da ciência, estimulando a colaboração entre cientistas, engenheiros e empresários. Ele enfatizou que este ambiente deveria fomentar a criação de startups e spin offs a partir da atividade de pesquisa, transformando a robusta base de pesquisa do Brasil em uma fonte de inovação tecnológica e desenvolvimento econômico. Para impulsionar o crescimento do PIB, é fundamental investir estrategicamente em P&D e na formação de capital humano, ao invés de apenas alocar recursos sem planejamento. Devemos fortalecer as capacidades das instituições governamentais e privadas, promovendo investimentos inteligentes e parcerias eficazes entre os setores público e privado. Essa abordagem assegura que os recursos sejam utilizados de maneira eficiente, promovendo inovação e um desenvolvimento econômico sustentável.

REFERÊNCIAS

Veja o PDF da apresentação do Dr. Marcelo [aqui]

Para mais detalhes, acesse a apresentação completa no YouTube [aqui]